quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Palavras

As palavras soltam-se voam… É tão fácil proferir uma Palavra. A vida das palavras é curta. Um Mundo sem palavras era, certamente, mais transparente mais humano. O que fazemos são as verdadeiras palavras.

Silêncios e Palavras"Silêncios e Palavras" by Monte Biju by Simony Carvalho is licensed under CC BY-NC-SA 2.0

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

QUERO SER UM TELEVISOR!

Televisor"Televisor" by Matatias 2 is licensed under CC BY-NC-SA 2.0

Uma professora do ensino básico pediu aos alunos que fizessem uma redacção sobre o que gostariam que Deus fizesse por eles. Ao fim da tarde, quando corrigia as redacções, leu uma que a deixou muito emocionada. O marido, que, nesse momento, acabava de entrar, viu-a a chorar e perguntou: - O que é que aconteceu? Ela respondeu: - Lê isto. Era a redacção de um aluno. “Senhor, esta noite peço - te algo especial: transforma-me num televisor. Quero ocupar o lugar dele. Viver como vive a TV da minha casa. Ter um lugar especial para mim, e reunir a minha família à volta... Ser levado a sério quando falo... Quero ser o centro das atenções e ser escutado sem interrupções nem perguntas. Quero receber o mesmo cuidado especial que a TV recebe quando não funciona. E ter a companhia do meu pai quando ele chega a casa, mesmo quando está cansado. E que a minha mãe me procure quando estiver sozinha e aborrecida, em vez de me ignorar. E ainda, que os meus irmãos lutem e batam para estar comigo. Quero sentir que a minha família deixa tudo de lado, de vez em quando, para passar alguns momentos comigo. E, por fim, faz com que eu possa diverti-los a todos. Senhor, não te peço muito...Só quero viver o que vive qualquer televisor.
Naquele momento, o marido de Ana Maria disse: - Meu Deus, coitado desse miúdo! Que pais! E ela olhou-o e respondeu: - Essa redacção é do nosso filho.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

O que desejei às vezes

...e o vento levou"...e o vento levou" by jaci XIII is licensed under CC BY-NC-SA 2.0

O que desejei às vezes Diante do teu olhar, Diante da tua boca! Quase que choro de pena Medindo aquela ansiedade Pela de hoje - que é tão pouca! Tão pouca que nem existe! De tudo quanto nós fomos, Apenas sei que sou triste. António Botto

sexta-feira, 6 de junho de 2008

A Igreja do Diabo

Se tu podes vender a tua casa, o teu boi, o teu sapato, o teu chapéu, coisas que são tuas por um razão jurídica e legal, mas que, em todo o caso, estão fora de ti, como é que não podes vender a tua opinião, o teu voto, a tua palavra, a tua fé, coisas que são mais que tuas, porque são a tu própria consciência, isto é, tu mesmo?

Toda Terça Tem Teatro :: A IGREJA DO DIABO"Toda Terça Tem Teatro :: A IGREJA DO DIABO" by CCJ - Centro Cultural da Juventude is licensed under CC BY-NC-SA 2.0

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Meditações

Não se deve pensar que o Diabo só tenta as pessoas de génio. Não há dúvida que ele despreza os imbecis, mas não desdenha os seus serviços. Pelo contrário, deposita grandes esperanças na sua ajuda.

O MARINHEIRO de Fernando Pessoa"O MARINHEIRO de Fernando Pessoa" by matacandelas is licensed under CC BY-NC-SA 2.0

terça-feira, 20 de maio de 2008

Desassossego

Toda a alma digna de si próprio deseja viver a vida em extremo. Contentar-se com o que lhes dão é próprio dos escravos. Pedir mais é próprio das crianças. Conquistar mais é próprio dos loucos.

Outro tipo de solidão"Outro tipo de solidão" by Edgardo Balduccio is licensed under CC BY-NC-ND 2.0


A liberdade é a possibilidade do isolamento. És livre se podes afastar-te dos homens, sem que te obrigue a procurá-los a necessidade de dinheiro, ou a necessidade gregária, ou o amor, ou a glória, ou a curiosidade, que no silencio da solidão não podem ter alimento. Se te é impossível viver só, nasceste escravo.

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Quando o nada aconteceu.

Milky Way / Via Láctea"Milky Way / Via Láctea" by Chaval Brasil is licensed under CC BY-NC-ND 2.0

Quando o nada aconteceu, tudo desapareceu…
Ficou uma estrela, uma pequena estrela, estrela do outro Mundo…um Mundo antigo.
Levo-a para todo o lado…ela é pequena, mas brilha no meu olhar e chama-se, Amizade.

segunda-feira, 24 de março de 2008

Pensamentos para pensar.

A vida é uma tragédia quando vista de perto, mas uma comédia quando vista de longe.
(Charlie Chaplin)

Não devemos permitir que alguém saia de nossa presença sem se sentir melhor e mais feliz.
(Madre Teresa de Calcutá)

O coração que está em paz vê uma festa em todas as aldeias.
(Provérbio hindu)

A paz vem de dentro de ti próprio, não a procures à tua volta.
(Buda)

Discordo daquilo que dizes, mas defenderei até à morte o teu direito de o dizeres.
(Voltaire)

O primeiro dever da inteligência é desconfiar dela mesma.
(Einstein)

Não importa o que o passado fez de mim. Importa é o que farei com o que o passado fez de mim.
(Chico Zé)

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

DEFICIÊNCIAS

"Deficiente" é aquele que não consegue modificar sua vida, aceitando as imposições de outras pessoas ou da sociedade em que vive, sem ter consciência de que é dono do seu destino.
"Louco" é quem não procura ser feliz com o que possui.
"Cego" é aquele que não vê seu próximo morrer de frio, de fome, de miséria, e só tem olhos para seus míseros problemas e pequenas dores.
"Surdo" é aquele que não tem tempo de ouvir um desabafo de um amigo, ou o apelo de um irmão. Pois está sempre apressado para o trabalho e quer garantir seus tostões no fim do mês.
"Mudo" é aquele que não consegue falar o que sente e se esconde por trás da máscara da hipocrisia.
"Paralítico" é quem não consegue andar na direção daqueles que precisam de sua ajuda.
"Diabético" é quem não consegue ser doce.
"Anão" é quem não sabe deixar o amor crescer.

"A amizade é um amor que nunca morre. "

Mario Quintana (escritor gaúcho 30/07/1906 -05/05/1994).

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

O segredo

vazio"vazio" by pguedes is licensed under CC BY-SA 2.0



O segredo está no amor,
é evidente,
mas também em sabermos
afastar do nosso convívio
o que não presta.
Só quem se libertou
do medíocre e do vazio
poderá ser feliz.


Torquato da Luz

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Bocage! O rexinxa Mor

Bocage, Poeta e Boémio

Manuel Maria Barbosa du Bocage, nasceu em Setúbal a 15 de Setembro de 1765, faleceu em Lisboa a 21 de Dezembro de 1805.

A sua infância foi infeliz. O pai foi preso por dívidas ao Estado quando ele tinha seis anos e permaneceu na cadeia seis anos. A sua mãe faleceu quando tinha dez anos. Possivelmente ferido por um amor não correspondido, assentou praça como voluntário em 22 de Setembro de 1781 e permaneceu no Exército até 15 de Setembro de 1783. Nessa data, foi admitido na Escola da Marinha Real, onde fez estudos regulares para guarda-marinha. No final do curso desertou, mas, ainda assim, aparece nomeado guarda-marinha por D. Maria I.
Nessa altura, já a sua fama de poeta e versejador corria por Lisboa.

Foi preso pela inquisicão, e na cadeia traduziu poetas franceses e latinos.
A década seguinte é a da sua maior produção literária e também o período de maior boémia e vida de aventuras. Fonte:www.ebiografia.com
SONETO Mais um daqueles, que não fazem falta,
Verbi gratia – o teólogo, o peralta,
Algum duque, ou marquês, ou conde, ou frade

Não quero funeral comunidade,
Que engrole sub-venites em voz alta;
Pingados gatarrões, gente de malta,
Eu também vos dispenso a caridade.

Mas quando ferrugenta enxada idosa
Sepulcro me cavar em ermo outeiro,
Lavre-me este epitáfio mão piedosa:

«Aqui dorme Bocage o putanheiro:
Passou a vida folgada, e milagrosa:
Comeu, bebeu, fodeu sem ter dinheiro».




segunda-feira, 17 de setembro de 2007

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

Não tenho mais palavras

[Foto] Chão de pedras"[Foto] Chão de pedras" by Marco Bonito - O informívoro is licensed under CC BY-NC 2.0

Não tenho mais palavras.
Gastei-as todas a negar-te...
(Só a negar-te eu pudesse combater
O terror de ver em toda a parte).
Fosse qual fosse o chão da caminhada,
Era certa a meu lado
A divina presença impertinente
Do teu vulto calado
E paciente...
E lutei, como luta um solitário
Quando alguém lhe perturba a solidão.
Fechado num ouriço de recusas,
Soltei a voz, arma que tu não usas,
Sempre silencioso na agressão.
Mas o tempo moeu na sua mó
O joio amargo do que te dizia...
Agora somos dois obstinados,
Mudos e malogrados,
Que apenas vão a par da teimosia.


Miguel Torga